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Altamira já sofre efeitos de Belo Monte

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O aumento populacional de Altamira, em função de Belo Monte; e a subida galopante do custo de vida, sem o correspondente investimento em infraestrutura, são temas destacados pelo diretor do Sindmepa, Waldir Cardoso, em relatório da recente visita que fez ao município, como parte do programa de interiorização do Sindmepa.

“O município de Altamira foi invadido por mais de 15.000 trabalhadores para a construção da Usina de Belo Monte. Mais 15.000 trabalhadores são esperados para Belo Monte e 7.000 de uma mineradora canadense que vai explorar jazida de ouro descoberta, recentemente. O custo de vida subiu de forma estratosférica. Da alimentação aos alugueis. A cidade, antes pacata, está coalhada de carros e motos. Há epidemia de trauma por acidentes. Nenhuma infraestrutura urbana foi providenciada”, relatou Waldir Cardoso.

 

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Uma das áreas mais atingidas pela falta de planejamento da cidade para o projeto de Belo Monte foi o sistema de saúde, “que opera no limite de sua capacidade”, afirma Cardoso. “As duas unidades hospitalares prometidas pelo governo federal continuam sendo promessas”, ressalta.

Nas visitas ao hospital municipal e à UPA do bairro do Mutirão, o diretor do Sindmepa observou defasagens no pagamento de médicos e a precarização das relações de trabalho, com contratos sem nenhuma garantia. No hospital municipal, “há defasagem nos valores pagos, particularmente, aos quatro anestesistas contratados. Estes ainda sofrem com a sobrecarga de trabalho. Contratados para atuar nas cirurgias de emergência estão também dando cobertura nas intervenções eletivas”. Quanto à situação trabalhista, destacou: “os médicos têm um contrato assinado, mas não têm carteira de trabalho regularizada. Não têm férias ou outros benefícios sociais”.

Na UPA do município, além da falta de ambulância própria, “largos corredores com pouca iluminação, paredes com infiltração e poucos equipamentos e servidores. Aspecto de abandono. Apesar disso, o único médico de plantão faz uma média de 50 atendimentos por turno”. No prédio do IML, apenas uma sala funciona de forma precária.

 

 

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Em visita ao Secretário Municipal de Saúde, Waldecir Maia, o diretor do Sindmepa colocou a entidade à disposição e prometeu se empenhar junto ao Conselho Nacional de Saúde (CNS) na luta por mais recursos para a cidade e para a região. “Entendo que a situação é preocupante. A construção de Belo Monte será importante fonte de energia para o desenvolvimento do país. Mas está a produzir efeitos devastadores. Não só para as tribos indígenas, mas também para toda a população altamirense”, constatou Cardoso. A visita culminou com assembleia geral, com os médicos do local relatando relações e condições de trabalho precárias.

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Sindicato dos Médicos do Pará