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Toxina botulínica reduz produção de saliva, comprova estudo no Bettina

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O artigo intitulado “Aplicação de toxina botulínica no tratamento de pacientes com paralisia cerebral portadores de sialorreia” prova, por meio de estatística, ser viável e favorável a aplicação da toxina botulínica ao tratamento de pacientes com secreção abundante da saliva, identificada cientificamente como sialorreia, uma das consequências da paralisia cerebral. O trabalho acadêmico pertence ao Instituto Paraense de Aplicação de Toxina Botulínica (Ipat), vinculado ao Hospital Universitário Bettina Ferro de Sousa (HUBFS), da Universidade Federal do Pará (UFPA), e foi premiado pela UFPA entre 40 trabalhos da Instituição.

O trabalho, já publicado em livro este ano, foi escrito pelos médicos ortopedistas João Amaury Francês Brito e Paulo Cecim, e pelo diretor do Hospital Bettina, o médico e sociólogo Paulo Roberto Amorim, além das acadêmicas Cláudia Malcher e Taiana Lima. Segundo João Amaury, coordenador do Instituto, a toxina botulínica guiada por ultrassom para aplicação reduz a produção de saliva entre 70% e 80%.

Ele destaca ainda que a produção chama atenção no cenário nacional e será divulgado no Congresso Paraense de Ortopedia, que acontece este mês, em Belém, e no Congresso Brasileiro de Ortopedia, em dezembro deste ano, em Curitiba (PR). “A toxina é eficaz ao que se propõe, por solucionar vários problemas da paralisia cerebral e a secreção abundante da saliva é uma das consequências desta. Em relação ao tratamento de aplicação de toxina botulínica em pacientes, não devemos nada a outras regiões do Brasil. Recebemos pacientes de todo o Norte e Nordeste como Manaus, Acre, Maranhão e Fortaleza”, afirma Amaury.

Na opinião do diretor do Hospital Bettina o trabalho científico é um ganho para os pacientes do Sistema Único de Saúde e à população em geral. “A partir dessa pesquisa, novos estudos poderão surgir na busca de garantir melhor qualidade de vida aos usuários do Sistema. O Ipat tem contribuído com o que o Bettina Ferro se propõe: atuar no ensino, pesquisa, extensão e assistência, por abranger a humanização, assistência médica e científica”, afirma Amorim.

O Ipat concorreu com 39 trabalhos científicos produzidos na UFPA, que para considerar o melhor avaliou a teoria, estatística e defesa. Além de ter uma publicação universitária, o trabalho ganhará espaço em revistas científicas das áreas de ortopedia e neurologia nacional e internacional.

Atendimento – Há quatro anos, o Instituto funciona no HUBFS e atende pacientes que sofrem de contraturas musculares crônicas, espasmos faciais e de membros, sequelas de Acidente Vascular Cerebral (AVC) com contraturas e de paralisia cerebral. Atualmente, cerca de dois mil pacientes são atendidos. Para não perder a qualidade, o atendimento diário é restrito a 20 pessoas, entre crianças, adolescentes e adultos.

Toxina – A toxina botulínica tem por finalidade enfraquecer o músculo espástico, que é tenso. Quando aplicada, diminui a força de contração desse músculo bloqueando os neurotransmissores e a diminuição dessa contração faz com que o músculo relaxe. “Se você aplicar a toxina hoje, pode começar a perceber o resultado após 10 dias”, afirma Amaury.

A grande vantagem da medicação é que em 90% dos casos ela pode ser feita em tratamento ambulatorial, como é o caso do Bettina, não precisa de alta complexidade, que seria uma internação hospitalar para tratar desse paciente. Isso é bom para o paciente, para o Estado e para a União, pois não gera ônus a estes últimos. “Além disso, atua de forma multidisciplinar no paciente, pois colabora de forma significativa com o trabalho desenvolvido pela fisioterapia”, explica o coordenador do Instituto.

Relatos – A dona de casa Elza Maria Almeida dos Santos, mãe de Elson Ernesto, de 18 anos, conta que seu filho há dois anos faz aplicação de toxina botulínica no Ipat. “Com um ano de idade ele teve paralisia infantil e perdeu todos os movimentos, além de passar a babar muito. Há dois anos fazendo a aplicação da toxina, a baba reduziu, consegue firmar o pescoço e movimentar braços e pernas”, relata.

A dona de casa Jéssica dos Santos Pantoja, mãe de Eloane, 5 anos, também comenta estar satisfeita com o tratamento da filha. A menina foi vítima de paralisia cerebral na hora do parto, deixando-a sem movimentos nos braços e pernas. “Por causa da paralisia ela ficou com as pernas enrijecidas, grudadas. Há três anos fazendo a aplicação da toxina e com a ajuda da fisioterapia, hoje ela até ensaia dar alguns passos. Tenho certeza que com a aplicação da toxina evoluiu bastante e penso, como mãe, que 90% disso ocorreu por causa da toxina”, avalia Jéssica.

Fonte: Ascom/HUBFS/UFPA.

 

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